Fonte: O Globo
Responsável: Eduardo Carvalho, Rosane de Souza e Verônica Couto
Pesquisa inédita do Ibope sobre a informalidade no mercado de medicamentos revelou que um em cada dez brasileiros pede orientação ao balconista das farmácias antes de adquirir o medicamento prescrito. Do universo de 2002 entrevistados em todo o país, 17% afirmaram, ainda, que pedem a indicação de remédio aos familiares; 16% ouvem a opinião dos farmacêuticos; 8% dos balconistas; 6% dos amigos; 4% consultam a internet; 1% compra em barracas de vendas de ervas naturais; e 2% não hesitam em adquirir remédios que veem em propaganda de televisão.
O levantamento do Ibope foi apresentado no seminário A Informalidade e seus Impactos na Sociedade, promovido pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), e preocupou os palestrantes. Entre eles, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que anunciou a intenção de desenvolver ações educativas de amplo alcance social, além de destacar o Plano Estratégico de Fronteiras, primeira ação que articula várias forças governamentais para vigiar os 17 mil quilômetros de fronteira terrestre do Brasil.
O presidente-executivo da Interfarma, Antônio Britto, apoia a iniciativa, pois acredita que o tamanho do país torna a situação mais preocupante, já que a vasta fronteira territorial e a complexidade do mercado fazem do Brasil alvo preferencial da falsificação e do roubo de medicamentos.
O ministro, por sua vez, diz que está clara a necessidade de esclarecimento público sobre os riscos contidos no consumo de medicamentos produzidos e distribuídos fora dos canais legais. A mesma pesquisa do Ibope mostrou que 47% dos entrevistados jamais ouviram falar do selo de segurança – ou “raspadinha” – contido nas embalagens dos remédios.