Fonte: Jornal Nacional
Depois do tráfico de drogas e armas, bandidos agora estão fazendo contrabando de remédios falsificados, que podem colocar a vida de brasileiros em risco.
O Jornal Nacional mostra, nesta terça-feira, um crime que é um risco para a saúde de milhões de brasileiros. Depois do tráfico de drogas e armas, bandidos agora estão fazendo contrabando de remédios falsificados.A reportagem é de Paulo Renato Soares.
Remédios produzidos em série. Mas o que sai deste lugar nãofaz nenhum bem à saúde. As imagens da Interpol, a Polícia Internacional, mostram fábricas clandestinas de medicamentos na capital da Colômbia e em três cidades daquele país perto da fronteira com o Brasil.
As condições de preparo impressionam. Máquinas rudimentares. Péssimas condições de higiene. Como matéria prima, principalmente farinha e bicarbonato de sódio.
Assim eram feitos comprimidos e ampolas, falsificações de marcas famosas e de remédios importantes usados no tratamento do câncer, pressão alta e até estimulantes sexuais. Parte daprodução acabava enganando pacientes brasileiros.
A Polícia Federal descobriu que a Colômbia faz parte de uma das mais recentes rotas de entrada de remédios falsificados no país. De lá, o medicamento segue de avião para a Bolívia. Depois, entram no Brasil transportados em caminhões até Cuiabá, em Mato Grosso, de onde é distribuído para as cidades da região e grandes capitais.
Até agora a rota mais conhecida começava no Paraguai. Os bandidos usam barcos para trazer o carregamento para o Brasil pelo Lago de Itaipu e pelo Rio Paraná. Foz do Iguaçu e Guaíra são, segundo as investigações, as cidades de onde a mercadoria ilegal é distribuída para todo o país.
A logística importante aí é a logística do transporte. Eu acho que é aí que a gente tem que enfatizar o nosso trabalho não deixa chegar esse produto no varejista para depois ser comercializado nas grandes capitais, disse o delegado da Polícia Federal, José Mauro Nunes.
Os remédios falsificados chegam às mãos dos brasileiros, segundo a polícia, vendidos em farmácias que participam do esquema e até por camelôs. Mas o que mais preocupa os investigadores, hoje, é a participação cada vez maior de traficantes de armas e drogas nesse mercado.
Ano passado, foram encontrados medicamentos em 10% das apreensões de drogas e armas. Segundo a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, só nos primeiros três meses de 2009 foram apreendidas 170 toneladas de medicamentos falsificados, contrabandeados ou de uso proibido no Brasil. Nove vezes a mais do que em 2008.
Para tentar evitar falsificações, o consumidor deve sempre exigir nota fiscal. E checar se a caixa está lacrada e o selo de qualidade que só aparece depois que a marca de segurança é raspada.
Nós temos visto nas ações policiais que a Anvisa acompanha e dá suporte qu eas farmácias nas quais os farmacêuticos estão presentes o índice de falsificação e de venda de produto de forma irregular é menor do que nas outras farmácias, disse o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello.