A falsificação é especialmente lucrativa para comerciantes que exploram a boa reputação dos medicamentos de fabricantes originais, conquistada com investimentos e esforços consideráveis para oferecer produtos de alta qualidade, em benefício próprio, sem autorização.
Os falsificadores estão principalmente interessados em vender um produto que pode ser confundido com o verdadeiro com base na sua aparência externa. Eles não têm qualquer interesse em garantir que este produto contenha a composição correta e seja eficaz. Eles podem fabricar seus produtos em locais de fundo de quintal e não se preocupam com as disposições legais detalhadas e rigorosas que regem a fabricação de medicamentos de alta qualidade. Só por isso, e não considerando os custos inexistentes com pesquisa, eles desfrutam de uma enorme vantagem de custo em relação ao fabricante do produto genuíno.
Além disso, considerando as dificuldades de investigação e punição dos infratores, é fácil constatar que a produção de medicamentos falsificados pode ser mais lucrativa do que o tráfico de drogas ilegais. Embora os medicamentos falsificados sejam geralmente feitos em laboratórios de fundo de quintal, é comum que os encarregados e os financiadores destas operações formem uma rede criminosa altamente profissional.
Diferente dos outros casos de pirataria ou falsificação, os pacientes que compram medicamentos falsificados acreditam de boa-fé que estão comprando um produto genuíno. Porém, o falsificador almeja o dinheiro do paciente sem considerar sua vida ou saúde.
Todo medicamento é passível de falsificação, tanto medicamentos patenteados, como genéricos (medicamentos vendidos sob o nome do princípio ativo depois de vencida a patente do produto original). Os medicamentos caros, vendidos somente com prescrição médica para tratar doenças tais como AIDS ou câncer, são particularmente rentáveis para estes "comerciantes" duvidosos. Mas, ainda assim, mundialmente, os antibióticos são provavelmente os medicamentos mais comumente falsificados. De modo crescente, medicamentos de estilo de vida, tais como produtos para tratar disfunção erétil, ocupam uma boa posição na lista. Por este motivo, qualquer paciente está em risco.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Federação Internacional das Associações de Fabricantes de Produtos Farmacêuticos (IFPMA) definem um medicamento falsificado como um medicamento que é rotulado erroneamente de forma deliberada e fraudulenta em relação à identidade e/ou fonte.
Simplificando, eles são medicamentos que não provêm do fabricante original ou sofrem alterações ilegais antes do seu fornecimento ao paciente. Eles variam de falsificações “completas”, que são fabricadas pelos falsificadores do começo ao fim, a produtos genuínos cuja data de validade foi falsamente estendida. Alguns exemplos de medicamentos falsificados incluem produtos:
Infelizmente, estes “medicamentos” geralmente não podem ser identificados por leigos ou por médicos e farmacêuticos sem mais informações.
As pessoas tomam remédios para tratar suas doenças e ficarem saudáveis. Claramente, um falsificador não está interessado em produzir um medicamento com a mesma qualidade do original. Os riscos são óbvios no caso de produtos falsificados, que por sua natureza prejudicam o paciente ou consumidor, por exemplo, ao conter toxinas e impurezas.
Mas além destes exemplos ostensivos, os produtos falsificados são geralmente inferiores em qualidade, provavelmente devido aos processos de fabricação insatisfatórios ou armazenamento inadequado. E mesmo que o produto contenha alguns ingredientes ativos, eles podem ser inadequados em qualidade ou quantidade, fazendo com que uma vacinação ou teste falhe ou resultando em resistência contra o ingrediente ativo genuíno. Depois de tudo, existem boas razões para que a lei prescreva procedimentos tão elaborados para ensaios clínicos, autorização de comercialização e monitoramento de medicamentos.
A falta de informações sobre a indicação correta, uso, etc., pode causar riscos e danos consideráveis, mesmo se o conteúdo do medicamento for genuíno. Em alguns casos, o falsificador adiciona substâncias perigosas ao produto com o objetivo de produzir um “efeito” (ou então um “efeito colateral” sem qualquer valor terapêutico) semelhante ao do produto original. Tomar um medicamento falsificado é sempre um jogo de roleta russa.