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19/06/2008 - Laboratórios se unem para conter falsificação de medicamento

Fonte: Tribuna do Interior

Cerca de R$ 6 bilhões. Este pode ser o tamanho do prejuízo acumulado pela indústria farmacêutica ao ano por causa das falsificações de medicamentos. O valor representa em torno de 25% do movimento do mercado farmacêutico brasileiro. A estimativa dos fabricantes é baseada nos dados da Organização das Nações Unidas (ONU), uma vez que o Brasil não possui estatísticas oficiais sobre o assunto.

"Os volumes de produtos piratas aumentam e se sofisticam cada vez mais", afirma o gerente de produtos do Laboratório Cristália, Marcello Portela. Segundo ele, no começo do ano foram apreendidas de uma única vez uma tonelada de remédios falsos. "E antes as amostras eram grosseiras, mas hoje até mesmo quem trabalha na indústria fica em dúvida sobre a veracidade ou não de um produto", acrescenta.

E, se os prejuízos da indústria são grandes, maiores ainda podem ser os riscos para a saúde dos pacientes. "O mínimo que pode acontecer é a falta de eficácia, por falta do princípio ativo, até o envenenamento, por uso de substância tóxica", diz Lilian Cristina de Castro, gerente de qualidade do Eli Lilly. Segundo ela, é preciso que os pacientes sejam melhor esclarecidos acerca destes problemas e dos mecanismos de segurança.

Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre 1997 e 1998, antes da criação da agência, foram detectados 172 casos de falsificação de medicamentos. Após a criação da agência e ampliação dos controles esse número caiu para apenas dez casos entre 1999 e 2005. Em 2006, porém, já foram registrados sete casos e no último ano oito casos de produtos falsificados. Este ano, a Anvisa solicitou a ajuda da Polícia Federal durante as apreensões e até agora já foram detectados cinco novos casos. As multas vão de R$ 2 mil a R$ 5 mil e até a interdição do laboratório. Além das autuações, a Anvisa trabalha com as indústrias na criação de sistemas que além de conferir maior fidedignidade ao produto garantam também sua rastreabilidade desde a fábrica até o consumidor final. As propostas incluem desde um selo holográfico encomendado à Casa da Moeda até chips que vão permitir sua localização em todo o trajeto. Todas as propostas serão colocadas em apreciação durante a Consulta Pública oficial.

Enquanto isso não acontece, os fabricantes, especialmente de medicamentos para disfunção erétil que são os mais copiados, trabalham a todo vapor por conta própria para defender um mercado que gira em torno de 19 milhões de comprimidos por ano. O Cialis, da Lilly , contém, além do lacre de segurança exigido pela legislação, garantias adicionais como uma fita reativa no cartucho, que ao ser friccionada por um metal deixa aparecer o nome do laboratório, e um selo holográfico especial. O artifício da "raspadinha" também é utilizado pelos outros fabricantes como o Cristália, que produz o Helleva, e no Viagra, da Pfizer. Como pioneiro, o medicamento da norte-americana, inclusive, é bastante visado em termos de falsificação. Por isso, a Pfizer também adicionou o selo de segurança na embalagem do produto com logotipo da companhia na cor azul marinho. O dispositivo é usado em todo o mundo e trocado a cada dois anos, aproximadamente.

"O medicamento de disfunção erétil é muito visado porque ele não é apenas um remédio, mas tem a ver também com o comportamento social", diz Portela. Por isso, as indústrias trabalham ativamente junto ao governo para que se estabeleça um sistema eficiente de identificação de produtos que garantam a rastreabilidade dos medicamentos desde a fábrica até o consumidor final. "É necessário um sistema que dê confiabilidade na cadeia de medicamento porque já se encontrou remédios sem principio ativo ou alterados", explica o dr. Lauro Moretto, do Sindicato da Indústria Farmacêutica do Estado de São Paulo (Sindusfarma). Segundo ele, além da segurança do produto, é preciso o estabelecimento de regras e penalidades claras. "Por isso, tudo que estamos trabalhando será base de um projeto de lei que regulamentará todo o setor", explica Moretto.

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