Fonte: O Globo
Responsável: Eduardo Carvalho, Rosane de Souza e Verônica Couto
Medicamentos para o tratamento de disfunção erétil e anabolizantes ocupam o topo do ranking de remédios roubados no Brasil, segundo as polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo. No Rio, entre os mais apreendidos estão também abortivos, anticoncepcionais, antidepressivos e antitérmicos. Em São Paulo, também figuram no topo das apreensões, entre 2008 e 2010, relaxantes musculares e colírios.
Para os especialistas, a escolha dos criminosos por medicamentos mais populares não se dá por acaso. Remédios de uso crônico e com alto custo são mais facilmente identificados pelos usuários, que conhecem em detalhes as características dos produtos, desde a embalagem até a composição.
Mas há também muitos registros relacionados à apreensão de remédios para o tratamento de câncer, problemas cardíacos e disfunções psiquiátricas. Nestes casos, o atrativo para os criminosos é o fato de que mesmo cargas consideradas pequenas em volume têm alto valor de mercado. Além disso, há o fato de que a ineficácia pode ser “creditada” à doença e não aos medicamentos.
“Cargas de remédios caros, utilizados no tratamento de doenças mais graves, como o câncer, são alvos das quadrilhas pelo alto valor que têm, mesmo em pequenas quantidades. E também porque, no caso de ineficiência – já que muitos, além de roubados, são falsificados ou estão fora de validade –, esses medicamentos geram menos desconfiança: a doença, por ser grave, serve como desculpa para o não funcionamento daquele produto”, diz o delegado Marcos Cipriano, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública do Rio.