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15/04/2009 - Quadrilhas especializadas provocam um derrame

Fonte: Jornal do Brasil - Rio de Janeiro

Jornalista: Indefinido

Das 170 toneladas de remédios apreendidos no primeiro trimestre, 90% estavam em prateleiras sem registro de origem e notas fiscais, o que significa, segundo as autoridades, que têm origem no roubo de grandes cargas de medicamentos operado pelo tráfico, composto por quadrilhas especializadas em roubo de cargas; 5% foram produzidos em países da Ásia e chegaram ao Brasil pela Colômbia, Bolívia e Paraguai; os outros 5% foram simplesmente falsificados, ou seja, não produzem qualquer efeito contra as enfermidades.

- É um verdadeiro derrame de medicamentos. Tem de tudo: cópias pirateadas, remédios misturados a produtos inócuos ou os que são tóxicos e viram problemas de saúde - diz o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo. - O mais perverso é que, por serem mais baratos, essa prática alcança as pessoas mais desinformadas. É necessário combater com todo o rigor da lei.

Além da pirataria, segundo Raposo, o mercado vem sofrendo sucessivos baques com o aumento das ocorrências sobre roubo de cargas de remédios em centros como São Paulo e Rio - cujo destino são também as farmácias legalmente estabelecidas. Esse fenômeno tornou o transporte de medicamentos o mais caro produto na lista das companhias de seguro.

Para enfrentar a pirataria, o Ministério da Justiça firmou ontem um convênio com a Escola de Administração Fazendária (Esaf). O governo quer incluir no Programa de Educação Fiscal cerca de 50 mil agentes multiplicadores de informações sobre os variados efeitos da pirataria. A Esaf contará com a parceria entre o Ministério e as secretarias estaduais de Educação, que levarão para as salas de aula das redes pública e privada as implicações danosas do comércio clandestino de remédios.

A repressão continuará nas mãos da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, que vão apertar a fiscalização nas estradas e organizar operações especiais para atacar pontualmente locais onde são vendidos medicamentos de procedência ilegal. A pirataria vai se transformar também no principal tema do CNCP, que reúne representantes do Congresso e de outros seis ministérios. Trata-se da maior ofensiva oficial contra esse sistema e também de uma constatação lamentável: parece que o governo só descobriu agora que a integração dos órgãos públicos, somada à fiscalização e à repressão planejadas representam o melhor antídoto para combater um mercado criminoso e nocivo à saúde da população.

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