Fonte: Estado de Minas - Belo Horizonte
Jornalista: Thiago Herdy
Seis integrantes de uma quadrilha especializada em roubo de medicamentos foram presos ontem, em operação da 1ª Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas, da Polícia Civil. Em investigação que durou quatro meses, Fabiano Miguel de Lima, de 29 anos, foi apontado como chefe do bando. Os policiais pediram à Justiça a prisão dele e dos cúmplices Diego Leonardo de Oliveira, de 22, Eli Francisco da Rocha Filho, de 24, Davi Antunes Batista e Eduardo da Silva Lima, cujas idades não foram reveladas.
Uma sexta pessoa foi detida, mas a polícia pediu que o nome fosse preservado para não atrapalhar as investigações. Ele é funcionário de uma das maiores distribuidoras de remédios do Brasil, que concentra 80% do mercado farmacêutico nacional e atua em 12 estados. O homem preso trabalhava no centro de distribuição da empresa no Bairro São João Batista, na Região de Venda Nova, em BH, e é suspeito de repassar informações à quadrilha. Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz da Vara de Inquéritos Policiais de Belo Horizonte, José Ricardo de Freitas Veras. Outros mandados de prisão ainda serão cumpridos.
Segundo o delegado Hugo Malhano, o próximo passo é descobrir quem recebia os produtos roubados. "Os remédios acabavam indo para as lojas, porque eram roubadas grandes quantidades. Acreditamos que intermediários atuavam na comercialização dos remédios", disse o delegado. Os policiais trabalham para identificar receptadores de Minas, no Rio e em São Paulo.
A investigação é resultado de uma força-tarefa que envolve representantes da Polícia Civil e do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (Caocrimo), do Ministério Público. Há também o apoio da Secretaria de Estado de Fazenda. Nos quatro meses de acompanhamento da atuação do grupo, mais de R$ 1 milhão em remédios teriam sido desviados. Ontem, durante as prisões, foram apreendidos um revólver calibre 38 e quatro veículos: um Fiesta, um Siena, um Fiat Uno e uma motocicleta.
Um ex-motorista da Santa Cruz, vítima de assalto quando ainda trabalhava na empresa, em 19 de agosto, identificou dois integrantes do bando. "Fazia entregas a farmácias e drogarias e um carro e duas motos me fecharam. Rodaram comigo por três horas no carro deles, enquanto sumiam com a carga. Fui deixado em Brumadinho", contou o ex-funcionário da empresa. Nenhum preso ontem quis dar entrevista. A empresa foi contatada no fim da tarde de ontem, mas não retornou até o fechamento da edição.